Aula de culinária
A vida não tem uma receita exata. Como os livros que indicam "farinha que baste", "pimenta a gosto", "deixe no fogo até ficar no ponto", há também os conselhos de "ouça seu coração", "siga sua intuição" ou "escolha o aparelho que for mais adequado para você". Mas essa é a graça de cozinhar ou viver.
Trocando receitas culinárias nos últimos dias, eu me lembrei de uma história, que me assustou muito quando eu era criança. Eu a li numa antologia de contos latino-americanos de terror. Uma moça casa, mas não sabe cozinhar. Então ela pede pra um vizinha ensiná-la a fazer sopa pro marido. Só que a vizinha quer puni-la, acho que justamente porque a recém-casada era preguiçosa e nunca aprendeu a cozinhar. E dá a seguinte receita: água, sal e colorau. E tripas de um defunto fresco. Defunto fresco, no caso, que morreu há pouco tempo. Sem julgamentos sobre a índole do defunto.
A moça acredita e vai até o cemitério (claro). Prepara a sopa como a vizinha ensinou, o marido toma e adora (claro). E no meio da noite, o defunto destripado vai tirar satisfações (claro). De alguma forma, eu fiquei com muito medo.
Portanto, uma pequena dica: nenhum prato justifica uma visita ao cemitério para buscar ingredientes.
..::Modo de Usar
Não me pergunte, não me responda.

8 Comments:
Nossa, é engraçado com a sociedade usa de historinhas para assustar criancinhas e lhes ensinar que a boa moça é a que sabe cozinhar. não é um machismo de primeira?
O engraçado de ler seus textos é ficar pensando nas várias camadas de compreensão. É de endoidar qualquer um. Ainda bem que já nasci doido.
"Maria Angulaaaaa... devolva o estômago que você roubou na minha santa sepulturaaaaaa..."
Tenha medo. Muito medo.
Quando você explicitou que ias abandonar o seu blog por algum tempo eu, ao memo tempo, deixei de visitá-la. De repente, falei comigo: porque não? E lá estava você, de roupa nova, escrevendo coisas que eu gosto de ler. Aproveitei o link de comentários para lhe dizer que é bom, muito bom, tê-la de volta.
Anônimo, muito, muito obrigada!
Aloisio, bem-vindo de volta. Eu tava mesmo pra avisar que tinha voltado (mais ou menos, né? já estou devendo atualizações de novo).
Perdão pelo meu "ias"
Linda, isso lembra a lenda de Obá e Xangô, não?
Beijos
Bárbara,
Mais de um ano se passou sem que você nos deliciasse de novo com o que escreve. Na verdade, administrar um blog com qualidade, sem patrocínio, é ter muito despreendimento e, um dia, enche o saco mesmo. Soube que você ainda escreve numa revista virtual sobre música. Como posso encontrá-la?
(Pode ser que leve outro ano para ter a minha resposta, mas não me importo. Espero.
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